sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

William A. Bouguereau

Orestes Perseguido Pelas Fúrias

As Bacantes

Flagelação de Cristo

Dante e Virgílio no Inferno

O Primeiro Luto

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Foz




O nevoeiro provoca-me uma sonolência que podia ser sublime, se não existissem assuntos pendentes a tratar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Não sei o que acontece quando não há vontade. Simplesmente, vontade. Em qualquer sítio, sob qualquer circunstância. Há condenações aleatórias. Daquelas absolutamente idiotas, sem razão. Faz-me doer o corpo todo, arrastado com uma exactidão doentia.

Zero. Acontece zero. E fico por aí, correndo à volta dessa imagem: zero. É uma órbita de força gravitacional intensa. Fico por aí, por lá. Quem quiser, que me tente puxar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sigur Rós

Há momentos que não se esquecem. Há coisas que são sentidas de forma única e uma única vez. Às vezes compensam gastos, eventuais sacrifícios e todas essas coisas que se tornam imensamente secundárias. No dia 11 de Novembro foi assim. Quem esteve no Campo Pequeno sabe bem do que estou a falar. Não me vou alongar sobre este assunto porque há certas coisas que não devem ser descritas, sob pena de serem diminuídas e de não lhes ser feita justiça. Fica a ideia.

Ignorem a péssima qualidade da imagem, por favor.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Arte 81

Cabeça de perfil - Manuel Jardim

Arte 80

O Rapto de Europa - Rembrandt
Soon.
Levantaste-te cedo. Abriste os olhos com o custo de todos os dias. Não se iluminaram. Eras o nevoeiro de todas as manhãs. Não te conheci contornos porque te esbateste sobre o lençol... Mas eras o nevoeiro espesso, que se movimenta através das sombras, que invade todas as coisas. E invadiste-me. A luz que se faz à medida que despertas apoia as pontas dos dedos sobre o meu corpo. Mergulho no teu silêncio brilhante de água até perder os sentidos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Arte 79

Sopros - Mário Cesariny
Quantos serões serão necessários para me provares que vale a pena? Estou cansada de recitais, idiotas, na tua voz monocórdica que me adormece os sentidos, que não me convence de nada. Arrastas-te por esses corredores fora, brancos de luz eléctrica, com a cabeça baixa e os olhos caídos de animal doente. Abres as portas sem saber o que fazes, é o álcool que te confunde os sentidos?

Na rua páras e acendes o cigarro nos dedos moles, a tua boca mole tenta apanhar o fumo que puxas fracamente e não ergues os olhos quando o cospes. És ridículo. Essa tua coluna dobrada é ridícula.

Não me convences. Não me apanhas. Não quero saber do que dizes. Encosta-te no teu canto poeirento e pára de tentar angariar admiradores.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

Arte 78

As Musas - Maurice Denis

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Arte 77

Cozinha da Casa de Manhouce - Amadeo de Souza-Cardoso
Foste tão grande na tua brancura de nevoeiro. As marcas da idade atravessaram séculos, sempre iguais. A tua recusa de mudança de uma frieza tão afiada. Correste mundos, universos, sempre com o mesmo olhar. Carnes que se prostaram aos teus pés em adorações imbecis, na esperança de algum retorno. A solidão. Se um dia caíres, talvez acabe o mundo. Talvez eu te sinta a falta. Talvez... nunca mais.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Arte 76

K4 o Quadrado Azul - Eduardo Viana
Curem-se as (in)certezas. Horas de espera levam, quase inevitavelmente, a algum lado. Levam à leitura de coisas, por exemplo, numa esperança vã de que o tempo passe mais depressa. Por vezes, a escolha do objecto de leitura é profundamente triste, por ser ajustada e reveladora. Se vão para algo, não leiam sobre isso. Os pés começam a bater mais depressa, o peito começa a apertar e as dúvidas desabam com uma intensidade esmagadora. E deseja-se tantas coisas de uma vez só.

Papeladas. Papeladas em secretárias que poderiam conter uma vida. A minha. Uma sentença, quem sabe. Mas curem-se as (in)certezas. Na ambiguidade de vontades de uma tarde, curaram-se. Não fui condenada.

sábado, 11 de outubro de 2008

Arte 75

Auto-retrato - Aurélia de Souza


Vi outros que não fui capaz de encontrar. Ainda assim, penso que se me pintasse, teria de ser com a coragem de Aurélia de Souza.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Arte 74

Auto-retrato - Dórdio Gomes

Coming next on my field of work.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

E se um dia eu te encontrasse para lá do óbvio? Depois da noite, e do dia, e das cabanas de madeira, daquela rua pequena e suja, das flores nas janelas, da calçada, dos passos sem fim à procura de nada, à procura de tudo o que não existe. Não te encontrei num número que eu tinha a certeza existir.

De noite, de mão dada com a que me acompanhou, no silêncio dos candeeiros, os pés batiam à procura desse número. As ruas abertas fecharam-se. O número desapareceu. Sem ele, não existes. De repente tudo pareceu um delírio e os meus pés colaram ao chão e já não sabia onde estava. Perdi-me. Enquanto te procurei, perdi-me.
Meses e anos. Minutos e horas. Não chovia porque era só o vento. Vento duro, seco, que me empurrava em direcção nenhuma. Apertada, tinha a certeza de que havia vozes que não deviam ser esquecidas. Se o vento falasse não me tinha deixado esquecer. Esperei que fosse possível relembrar. Estava tudo muito longe, para lá daquilo que eu pude suportar. Não me deixaste relembrar, não me deixaste ir buscar aquelas vozes e o vento empurrava-me sem sentido.

Hoje, contigo noutro sítio qualquer, já me lembrei. Há vozes que já não estão esquecidas.